terça-feira, 18 de setembro de 2007

UM NOVO CAPÍTULO DA HISTÓRIA DO METODISMO EM OURO PRETO

A História de uma Bíblia

Esta história remonta aos fins do século XIX, quando um não identificado missionário metodista norte-americano visitou a cidade de Ouro Preto, MG, em trabalho de evangelização. Por seu intermédio um casal de ex-escravos – Alcides Carvalho e sua mulher – se converteu à fé evangélica e abriu as portas de sua humilde casinha para a realização dos cultos metodistas, dirigidos pelos pastores da Igreja [Metodista] Central de Belo Horizonte, em cuja área paroquial se incluía Ouro Preto.

A convite do Sr. [Alcides] Carvalho, começou a assistir aos cultos um português, o Sr. Rodrigo Silva, que passou a se interessar pela desconhecida fé evangélico-protestante. Convencido de que ali se encontrava uma dimensão da verdade que ele não conhecia, o Sr. [Rodrigo] Silva foi para casa e disse a sua mulher, D. Ana Rosa: “A partir de agora vamos todos ser metodistas. Vamos passar a freqüentar os cultos na casa do Sr. [Alcides] Carvalho”.

D. Ana era mulher decidida. Havendo sido deixada pelo marido em Portugal e achando que este estava demorando muito para ir buscá-la, não duvidara. Por sua conta, embarcara com as crianças para o Brasil e viera atrás dele. Apesar deste espírito independente, ela reconheceu que o marido havia encontrado algo significativo e adotou a nova fé com igual disposição. Até então o catolicismo era a vertente cristã que os Silva seguiam e nela educavam seus filhos e filhas.

Foi a esta altura que uma Bíblia veio parar em sua casa, ignorando-se se comprada pelo chefe da família ou se recebida em doação dos pastores metodistas. Deolinda, Idália e outra das agora quatro filhas do casal, receberam uma oferta dos missionários para irem estudar em uma escola da igreja, hoje não mais existente, o Colégio Americano de Petrópolis, RJ. Quando Deolinda voltou para casa, ao término dos estudos, recebeu um convite para lecionar em uma escola paroquial metodista em Sta. Maria, RS. Sua irmã Idália se casara com o pastor metodista desta cidade, o Rev. Antônio Fraga. Ali, Deolinda convidou um grupo de rapazes para que entrassem na igreja e viessem assistir aos cultos. Entre eles havia um, de nome César, que chamou sua atenção de modo especial. Ele começou a freqüentar a igreja e se tornou metodista. Mais do que isto: apaixonou-se por ela e eles acabaram por ficar noivos.

Deolinda, no entanto, precisou voltar para Ouro Preto a fim de ficar com seus pais e estes não concordaram de modo algum que ela voltasse ao Rio Grande para se casar. O noivado se desfez. Os anos se passaram e eles perderam contato. Ela acabou se casando com Olívio Ângelo Tóffolo e constituiu família. D. Deolinda somente veio a rever o jovem César quando este se tornou pastor da Igreja Central de Belo Horizonte e foi visitar Ouro Preto. Ele era agora conhecido como Rev. César Dacorso Filho.

Uma das filhas de D. Deolinda foi a Sra. Anésia Tóffolo. D. Anésia e seu marido, o engenheiro Dr. Paulo Ayres (não era parente do Bispo Paulo Ayres Mattos), ambos já falecidos, foram por longos anos membros da Igreja Metodista Central de São Paulo. Por caminhos cujos detalhes estão perdidos nos becos da história, a Bíblia levada para a casa do Sr. Silva – cujo volume do Novo Testamento lamentavelmente desapareceu – veio a ser parte do processo que acabaria por levar à ordenação do primeiro bispo metodista brasileiro. A mencionada Bíblia faz hoje parte do acervo do Museu Metodista, na Faculdade de Teologia em Rudge Ramos.


(Registrada pelo Rev. Sérgio Marcus Pinto Lopes a partir de entrevista com D. Anésia Tóffolo Ayres, agosto de 2002)

Um comentário:

Gercymar Wellington L. e Silva disse...

Amigos e amigas

O Rev. Gercymar W. Lima e Silva, da 4ª RE, criou um blog em que recolhe Histórias do Metodismo em Minas Gerais. Se alguém desejar conhecer e contribuir acesse o endereço: http://ometodismonoestadodeminas.blogspot.com

Vale a pena cooperar com este raro esforço!

Abraços,

Sérgio Marcus Pinto Lopes